O antilusitanismo converteu-se no discurso da nacionalidade levado ao extremo; no nativismo exacerbado, que irmanava toda a classe de homens em um único sentimento compartilhado, resumido à derrubada do imperador. Mas não se pode simplificar a análise da situação. É preciso compreender os conflitos antilusitanos não apenas como disputas de nacionalidades, mas como rixas e divergências com conteúdo político bem mais amplo. Elas traziam em si, por um lado, propostas e ideias de liberdade e participação ativa; por outro, questões relacionadas ao mercado de trabalho setorizado, segmentado e hierarquizado.

(RIBEIRO, Gladys Sabina. 2002. p. 402.)

No contexto da Independência do Brasil e formação do Estado nacional brasileiro, o próprio príncipe D. Pedro personalizava uma ambiguidade, que acabou através de algumas ações, gerando polêmicas, uma vez que:
O cinema não deve ser visto apenas como mais um recurso didático-pedagógico, mas também como forma de socialização, assim como a educação. Nesse sentido e, ainda, seguindo o que afirmam os PCNs: “a história não é ensinada apenas no espaço escolar, os alunos têm acesso a inúmeras informações e imagens transmitidas por diversos meios – rádio, livros, enciclopédias, jornais, revistas, televisão, cinema, vídeo e computadores –, que também difundem personagens, fatos, datas, cenários e costumes que os instigam a pensar sobre diferentes contextos e vivências”.

(MOCELLIN, 2003, p. 11.)

Uma série de obras e teorias embasam teoricamente o uso de filmes em sala de aula e destacam sua importância. Essa mídia, entre outras, pode e deve ser usada pelo professor de história, pois:
Como a nossa sociedade sofre um ritmo intenso de modificações, a escola e o ensino de história em especial têm de acompanhar esse processo sob pena de transmitir conhecimentos já ultrapassados. Para isso, deve incorporar os temas e as inovações tecnológicas com que os alunos já lidam no seu cotidiano. Constitui-se, hoje, para os educadores do ensino fundamental e médio, um desafio muito grande ensinar alunos que têm contato cada vez maior com os meios de comunicação e sofrem a influência da televisão, rádio, jornal, videogames[...], computador, redes de informações etc. Discutir a respeito da utilização das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação(TICs) no ensino de história não chega a ser uma novidade. Como nas demais áreas constituintes do currículo escolar, o campo da história tem sido objeto de estudos, que procura defender a utilização dos recursos tecnológicos como importante meio na busca de uma melhor realização do processo de ensino-aprendizagem, desde que:
Trabalhar com teoria e metodologia em sala de aula pode se tornar um fardo tanto para o professor quanto para o aluno, se o docente não pensar as definições operacionais que visem à escola e ao entendimento do aluno, conforme a sua vivência e seu meio. Os conceitos devem ser trabalhados a partir de um acontecimento histórico que convide o aluno a reflexão: [...] ao fazer leituras a respeito dos presidentes chilenos do século XX, o aluno deverá ser capaz de efetuar nomeações a partir de dois conceitos: regimes democráticos e regimes autoritários. Ao fazer esse exercício teórico, ele vai entrar em contato com as diferentes possibilidades de interpretação, ou de construção, do fato histórico.

(SEFFNER, 2000:261.)

O tratamento de fontes históricas é válido para ajudar nessa reflexão teórica. Pensando numa hipótese de prática especificamente nesse quesito (fontes históricas), para trabalhar as diferentes possibilidades de interpretação, ou de construção do fato histórico, podemos apontar como correta a seguinte atitude:
O primeiro traço a destacar-se, no estudo do caso brasileiro, é o da origem colonial. É preciso distinguir, ainda, no amplo quadro da origem colonial (que abrange todos os continentes, salvo a Europa) que, no caso do Brasil, trata-se, antes de mais nada, de uma “civilização” transplantada [...]. Os elementos destinados à empresa de “colonização”, isto é, de ocupação produtiva – no caso do Brasil – provém do exterior, são para aqui transplantados, tanto os senhores – os que exploram o trabalho alheio – quanto os trabalhadores – os escravizados.

(SODRÉ, 1994, p. 04. Adaptado.)

A formação da sociedade brasileira efetiva-se a partir da mistura cultural e étnica de povos oriundos de outros lugares e estranhos às nações nativas que aqui já habitavam desde tempos bem mais antigos. A colonização exploradora e expropriativa nessas terras:
Desde a formação do Estado brasileiro, no início do século XIX, a história tem sido um conteúdo constante nos currículos escolares. Contudo, seus objetivos, propostas e metodologias de ensino nem sempre foram os mesmos. Isto porque, como campo de pesquisa e produção de saber, a história não possui uma abordagem unificada. Logo, no campo de ensino, as abordagens teóricas e metodológicas também variam. Podemos, então, situar a inclusão da história no currículo escolar no ano de 1827, pelo “Decreto das Escolas de Primeiras Letras”, a primeira lei sobre a instrução nacional do Império do Brasil. Segundo o texto desse decreto, a escola elementar (ou básica) deveria fornecer aos educandos noções básicas de política e moral cristã.

(Disponível em: https://acervo.cead.ufv.br/conteudo/pdf/ Acesso em: julho de 2024.)

Devido às variações nos currículos escolares referentes ao conteúdo da história, no período da Primeira República, por exemplo:
[...] Passados 136 anos da abolição formal da escravidão no Brasil, ainda vivemos em uma sociedade na qual persistem e são repercutidas dinâmicas e relações sociais referenciadas numa perspectiva racial discriminatória, preconceituosa, eurocêntrica, hierarquizante e hierarquizada. É bem sabido entre nós brasileiros que o fato de milhares de indivíduos, no final do século XIX, terem deixado a condição de escravizados não significou, de maneira alguma, uma transformação profunda em suas condições básicas de vida. O contexto pós-abolição não fez emergir uma real inclusão social dos negros libertos nas principais esferas políticas, econômicas e culturais do país, ao passo que, paralelamente, se registrou uma inferiorização desse grupo dentro do modelo cultural e identitário que foi historicamente constituído e construído como hegemonicamente nacional pela ideologia (dita “civilizatória”) do embranquecimento social.

(SCHWARCZ, 1993.)

O primeiro grande marco a nível nacional para uma mudança nas perspectivas do ensino ligado à diversidade étnico-racial no Brasil foi a publicação da Lei nº 10.639/2003, que concretizou alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996, estabelecendo, entre outras medidas: