Mévio, durante um mês, foi vítima de crime de...

Mévio, durante um mês, foi vítima de crime de ameaça, processável por ação penal pública, condicionada à representação. As ameaças eram feitas por carta, mensagens d...


Mévio, durante um mês, foi vítima de crime de ameaça, processável por ação penal pública, condicionada à representação. As ameaças eram feitas por carta, mensagens de celular e ligações telefônicas. No dia 20 de janeiro de 2017, enquanto dirigia, ele recebeu, via celular, vídeo mostrando seu carro, saindo há pouco da garagem do prédio onde se encontrava, seguido das palavras: “estou atrás de você”. Em desespero, Mévio bate o carro e, com ferimentos sérios, após passar por cirurgia, fica internado. Impossibilitado de comparecer à Delegacia, a esposa de Mévio noticia o fato à autoridade policial. A autoridade policial, passados poucos dias, identifica a pessoa que seguia o carro de Mévio no dia do acidente. Tratava-se um vizinho de bairro que, meses antes, teve com Mévio uma discussão, em jogo de futebol. Ouvido o vizinho, em 10 de fevereiro de 2017, este confessou ser o autor das ameaças, mas disse que tudo não passara de brincadeira. Mévio, ainda internado, contrata advogado e outorga a ele poderes especiais para representar contra o vizinho, para que fosse processado e condenado pelo crime de ameaça praticado. O advogado contratado por Mévio comparece à Delegacia, para representar contra o vizinho, somente em 05 de agosto de 2017, tendo juntado a procuração. Passado um tempo, Mévio e o vizinho, em uma nova partida de futebol, reconciliam-se e passam a bradar a todos que tudo não passou de uma brincadeira. Mévio, agora pessoalmente, comparece à Delegacia, em 10 de outubro de 2017, e se retrata da representação anteriormente feita, dizendo não mais querer processar o amigo.


Diante da situação hipotética, assinale a alternativa correta, levando em conta o Código de Processo Penal.

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  • Camila Duarte
    Camila Duarte
    31/12/1969 • 21:00
    Gabarito: e) A representação para o crime de ameaça, que é ação penal pública condicionada à representação, deve ser feita no prazo de seis meses a contar da data em que se descobrir o autor do fato, conforme artigo 38 do Código de Processo Penal. Isso significa que o prazo para a vítima manifestar sua vontade de processar começa a contar a partir do momento em que ela toma conhecimento de quem praticou o crime, e não da data do crime em si.

    No caso apresentado, Mévio só descobriu quem era o autor das ameaças após a investigação policial, e a representação foi feita dentro do prazo legal, mesmo que por meio de seu advogado com procuração específica. O Código de Processo Penal permite que a representação seja feita por procurador, desde que haja poderes especiais para tanto, o que torna válida a representação feita pelo advogado.

    Além disso, a retratação da vítima é possível, mas deve ocorrer dentro do prazo legal, e a questão não indica que a retratação de Mévio tenha ocorrido fora desse prazo. Porém, o ponto central da questão é o prazo para a representação e a validade da representação feita por advogado com procuração, que está correta na alternativa e.

    As outras alternativas estão incorretas porque: a) o prazo para retratação é de seis meses, mas a retratação não impede o prosseguimento do processo se já iniciado; b) a representação pode ser feita por procurador com poderes especiais; c) a representação pode ser objeto de retratação; d) o prazo para representação não é contado da data do fato, mas da descoberta do autor do crime.
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