Podemos considerar que são fundamentalmente duas as grandes transformações que levaram à revolução científica do século XVII: 1) Do ponto de vista da cosmologia, a demonstração da validade do modelo heliocêntrico, empreendida por Galileu; a formulação da noção de um universo infinito e a concepção do movimento dos corpos celestes, principalmente da Terra; 2) do ponto de vista da ideia de ciência, a valorização da observação e do método experimental e a utilização da matemática como linguagem da física, proposta por Galileu. A ciência moderna rompe com a separação antiga entre a ciência, o saber teórico, e a técnica, o saber aplicado, integrando ciência e técnica e fazendo com que problemas práticos no campo da técnica levem a desenvolvimentos científicos e que hipóteses teóricas sejam testadas na prática, a partir de sua aplicação na técnica.

(Danilo Marcondes. Iniciação à História da Filosofia – Dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, p. 168. Adaptado)

Considerando as colocações do texto sobre as transformações que propiciaram o surgimento da ciência moderna, assinale a alternativa correta.

A Teoria Crítica nasceu no trauma da República de Weimar, atingiu a maturidade no exílio e alcançou aceitação cultural em seu retorno. Transmitida por seus fundadores da primeira geração — entre outros, Max Horkheimer, Friedrich Pollock, Herbert Marcuse e Theodor Adorno —, ainda é uma perspectiva filosófica e política vital.

Fred Rush. Teoria Crítica. São Paulo: Ideias & Letras, 2008, p. 25 (com adaptações).
A respeito de filosofia e experiência estética, julgue o item.

Walter Benjamin concebe o conceito de aura para caracterizar aquilo que é reprodutível na obra de arte.
Ao longo do século XX, duas correntes filosóficas, a analítica e a continental, protagonizaram um embate teórico que ainda ecoa nos desenvolvimentos da filosofia contemporânea; no entanto, a partir da década de 1960, outras tendências se formaram. Assinale a alternativa que contempla apenas essas principais tendências do pensamento contemporâneo.
Leia o excerto abaixo.
“[...] Em vez de definir o homem como um animal rationale dever-se-ia, portanto, defini-lo como um animal symbolicum. Para tal objetivo indicar-se-á aquilo que verdadeiramente o caracteriza e que o diferencia em relação a todas as outras espécies, e se poderá compreender o caminho especial que o homem tomou: o caminho para a civilização.”
(apud REALE, G., ANTISERI, D. História da Filosofia, 6: de Nietzsche à Escola de Frankfurt. São Paulo: Paulus, 2006, p. 31).
Que filósofo é autor dessa concepção acerca do homem como um animal symbolicum?
A crítica que Nietzsche faz ao surgimento da filosofia na Grécia tem como principal motivo a desvalorização da vida resultante do triunfo do “espírito apolíneo” em oposição ao:
No Posfácio da Segunda Edição (24 de janeiro de 1873), da obra O Capital, Karl Marx faz uma discussão sobre o seu método dialético.
No debate com os seus críticos, Marx defende que
A beleza é a manifestação sensível da ideia.
(HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Estética: A Ideia e o Ideal. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997, p. 42.)

Com base na citação de Hegel, melhor representa a concepção de beleza na arte, segundo a filosofia idealista:

Karl Popper rompeu com paradigmas científicos ao criticar o princípio da verificabilidade e ao defender o princípio da falseabilidade. Sobre a filosofia de Popper, assinale a alternativa INCORRETA.

O gênero não é um substantivo, mas tampouco é um conjunto de atributos flutuantes. O gênero é sempre um feito, ainda que não seja obra de um sujeito tido como preexistente à obra.
Adaptado de BUTLER, Judith. Problema de gênero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2022.

Segundo a filósofa, o gênero é um produto da
Friedrich Nietzsche afirmava que o cristianismo se fundamentava numa “moral de escravos” e atribuía a ele uma expressão sentimental básica. Qual é o sentimento que estava na base da moral cristã para esse filósofo?
Analise as afirmativas a seguir sobre o pensamento de Theodor Wiesengrund Adorno.
I. Adorno faz uma opção clara pelo Hegel dialético em contraposição ao Hegel sistemático.
II. A indústria cultural,de forma maldosa, realizou o homem como um ser genérico.
III. A indústria cultural é salutar e permite que o homem desenvolva sua própria cultura.
IV. O divertimento deixa de ser o lugar da liberdade, da recreação e da alegria. É a indústria cultural que fixa o divertimento e seus horários.
Estão corretas apenas as afirmativas

Nas Investigações Filosóficas, Wittgenstein desenvolve uma nova forma de compreender a linguagem, não como determinada pela relação entre linguagem e mundo, mas como uma atividade contextualizada em práticas estabelecidas. Quando considera o ensino ostensivo de uma palavra, o austríaco sugere que o treino é uma parte fundamental desse ensino.

Segundo ele,

Na práxis do uso da linguagem (2), um parceiro enuncia as palavras, o outro age de acordo com elas; na lição de linguagem, porém, encontrar-se-á este processo: o que aprende denomina os objetos (Investigações 7).


In: WITTGENSTEIN, L. Investigações Filosóficas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.



Podemos inferir, a partir das Investigações de Wittgenstein que:

Assinale a alternativa que apresenta o fundamento da teoria crítica da sociedade elaborada por Habermas em sua obra Teoria do agir comunicativo.
“Mas não temerei dizer que penso ter tido muita felicidade de me haver encontrado, desde a juventude, em certos caminhos, que me conduziram a considerações e máximas, de que formei um método, pelo qual me parece que eu tenha meio de aumentar gradualmente meu conhecimento, e de alçá-lo pouco a pouco, ao mais alto ponto, a que a mediocridade de meu espírito e a curta duração de minha vida lhe permitam atingir." (DESCARTES, R. Discurso do método. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 66.)


Das alternativas abaixo, qual NÃO corresponde às regras do método expostas por René Descartes nesse texto?
Em seu livro Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein, Danilo Marcondes aborda o período crítico de Kant: “na relação de conhecimento, não é o sujeito que se orienta pelo objeto (o real), como quis a tradição, mas o objeto que é determinado pelo sujeito. A Crítica da razão pura visa, assim, investigar as condições de possibilidade do conhecimento”.

Segundo a perspectiva apresentada no excerto, as condições de possibilidade do conhecimento estão associadas à
Das opções abaixo, qual é aquela cuja expressão define o trabalho de Michel Foucault em As palavras e as coisas?
No século XVII já eram fabricados autômatos que despertavam interesse e admiração pela complexidade e perfeição de movimentos. O pensador francês René Descartes reflete então sobre a possibilidade de ser fabricado um autômato a tal ponto semelhante a um ser humano que tornasse quase impossível a tarefa de diferenciar o homem da máquina. Para distingui-los, sugere dois critérios. Máquinas poderiam até proferir palavras obedecendo a comandos, mas nunca arranjar as palavras para responder ao sentido de tudo quanto se disser na sua presença. E, do mesmo modo, ainda que máquinas pudessem vir a desempenhar algumas tarefas de modo muito superior aos seres humanos, contudo, falhariam infalivelmente em algumas outras, pelas quais se descobriria que não agem pelo conhecimento.
(DESCARTES, René. Discurso do Método, Parte V, § 10)
Traduz os argumentos do filósofo para o nosso tempo o que se encontra em:
A diferença entre ele com os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar − o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão [...]. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada [...] mantinha tudo em serena compreensão, separava uma pessoa das outras, as roupas eram claramente feitas para serem usadas e podia-se escolher pelo jornal o filme da noite − tudo feito de modo a que um dia se seguisse ao outro. E um cego mascando goma despedaçava tudo isso.

(LISPECTOR, Clarice. “Amor”, Laços de Família. São Paulo: Rocco, 1998)
Do ponto de vista da experiência filosófica, o que ocorreu com Ana revela que
No âmbito da filosofia da ciência, Karl Popper formulou uma solução para o problema da demarcação, visando distinguir as proposições científicas daquelas que não o são. Nesse sentido, assinale a alternativa que corretamente reflete a posição de Popper a respeito dessa questão.
A filosofia hegeliana da história é a última consequência, levada à sua “mais pura expressão”, de toda a historiografia alemã que não trata de interesses reais, nem mesmo políticos, mas apenas de uma série de pensamentos puros que devoram uns aos outros. Tal concepção é verdadeiramente religiosa, pressupõe o homem religioso como o homem primitivo do qual parte toda a história e, em sua imaginação, põe a produção religiosa de fantasias no lugar da produção real dos meios de vida e da própria vida.
Adaptado de MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

A visão marxiana entende que a história é movida pelas
Página 5