Um paciente de 54 anos foi atendido com queixa de lentidão e tremor nas mãos iniciado 7 meses antes. Ao exame, apresentava hipomimia facial, marcha em pequenos passos e quadro simétrico de rigidez em roda dentada, tremor de repouso e bradicinesia em membros superiores. Suspeitou-se de que o quadro poderia ter origem medicamentosa.

A medicação que mais provavelmente está associada a essa clínica é:

Como já observaram os antropólogos, um dos acidentes mentais mais comuns entre os povos primitivos é o que eles chamam de “a perda da alma” — que significa, como bem indica o nome, uma ruptura (ou, mais tecnicamente, uma dissociação) da consciência. Entre esses povos, para quem a consciência tem um nível de desenvolvimento diverso do nosso, a “alma” (ou psique) não é compreendida como uma unidade. Muitos deles supõem que o homem tenha uma “alma do mato” (bush soul) além da sua própria, alma que se encarna num animal selvagem ou numa árvore com os quais o indivíduo possua alguma identidade psíquica. É a isto que o ilustre etnólogo francês Lucien Lévy-Bruhl chamou “participação mística”.

JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos.
Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1964 (com adaptações).

Considerando o texto, o atual Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V-TR) e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que inclui diversas observações culturais nos seus capítulos, julgue o item que se segue.

Ainda que determinada situação específica se assemelhe a um episódio dissociativo, caso ela possa ser explicada pelo contexto cultural particular e não gere sofrimento ou incapacidade significativa, então não satisfará os critérios diagnósticos para transtornos de natureza dissociativa.

Um paciente de 87 anos é internado para tratamento de pneumonia com antibioticoterapia venosa. Durante a internação, apresenta episódios de agitação, necessitando de contenção mecânica para que não saia do leito. Ao ser avaliado pelo médico, afirma que está em casa. O quadro flutua durante o dia, alternando com períodos assintomáticos.

Considerando o quadro do paciente acima, o diagnóstico mais provável é:

Assinale a alternativa que indica o instrumento para avaliar funções cognitivas que é considerado um dos testes mais completos para declínio neurocognitivo, pois cobre os cinco domínios de funcionamento cerebral: atenção e orientação, memória, fluência verbal, linguagem e habilidades visuoespaciais. A sua pontuação global permite realizar o diagnóstico diferencial de vários transtornos neurocognitivos.

Leia o caso a seguir.
M., 26 anos, é levada ao pronto-socorro, após tentativa de autoextermínio, cortando os pulsos. Refere que tentou pôr fim à sua vida, pois uma voz dentro de sua cabeça a mandava se matar. Refere que não aguenta mais ouvir essa voz, que aparece toda vez que se sente triste. M. descreve a voz como de uma mulher, mas não sabe identificar se é conhecida ou não. Refere que se sente muito triste nos últimos 15 dias. Os familiares relatam que ela já tentou autoextermínio em duas outras ocasiões, sendo que as outras duas foi por ingesta de medicações. Relata que tem história de crises de ansiedade, sobretudo em momentos de frustração.
Elaborado pelo(a) autor(a).

As alterações psicopatológicas compatíveis com o quadro descrito são:
Segundo o DSM-5, o diagnóstico do transtorno de personalidade só pode ser realizado quando as características são típicas do funcionamento em longo prazo e não estão limitadas a um episódio discreto de outro transtorno mental. Da mesma forma, quando as características de comportamento mal adaptativo são devidas aos efeitos psicológicos diretos de outro transtorno mental, incluindo uso de substâncias, o diagnóstico de transtorno de personalidade não é garantido.

A respeito dos transtornos de personalidade, NÃO é correto afirmar que:
Ângela, uma mulher de 45 anos, foi diagnosticada com transtorno de compulsão alimentar periódica e realizou uma cirurgia bariátrica para controlar seu peso. Após a cirurgia, Ângela perdeu muito peso, mas ficou com excesso de pele, o que afetou sua saúde física e emocional. Ela entrou na justiça solicitando o direito à cirurgia reparadora. Considerando o CID-11 e o impacto do excesso de pele na saúde de Ângela, a alternativa que melhor descreve a situação é a seguinte:

Familiares manifestaram preocupação com o fato de um jovem de 28 anos apresentar há mais de seis meses uma percepção falsa de que seu corpo está sendo invadido por seres externos. Distúrbios físicos não foram objetivamente constatados.

Considerando que esse jovem não usa qualquer droga ou medicamentos e que não apresenta outras comorbidades, é correto afirmar que se trata de um caso de:

Com base nas últimas pesquisas em epidemiologia psiquiátrica, qual das seguintes afirmações é verdadeira sobre a prevalência de transtornos de humor?
Uma mulher de 32 anos de idade, sem histórico psiquiátrico prévio e sem histórico de uso de substâncias, funcionária pública, vem passando por uma série de mudanças em seu setor de trabalho nos últimos 3 meses, o que tem promovido um aumento significativo de conflitos interpessoais entre os colegas. Há duas semanas, após uma conversa com seu chefe, ela recebeu a notícia de que seria redirecionada para outra área, pois estavam realinhando os processos de trabalho. Essa notícia foi recebida com muita angústia e desespero, pois ela não esperava e não desejava essa mudança. Ficou se sentindo preterida e desvalorizada com a decisão de seu chefe. Desde o ocorrido, passou a apresentar um humor deprimido, choro fácil e sentimentos de desesperança em relação ao seu trabalho e seu futuro. Mesmo insatisfeita, seguiu comparecendo ao trabalho, sem alterações no sono, na alimentação ou na concentração. Porém, dado o sentimento de revolta, começou a chegar atrasada, sair mais cedo e protelar entregas de demandas a ela destinadas. Começou ainda a ter problemas em casa, com muitas brigas com seu marido e filhos, por sua irritabilidade acentuada. Nesse contexto, passou a dirigir em alta velocidade e a colocar o carro na contramão, embora negue ter vontade de morrer ou de se matar. Diante dessa situação, foi levada a atendimento especializado contra sua vontade.

Julgue o item subsecutivo, considerando o caso clínico hipotético apresentado.

Embora nessa situação apresentada a paciente não demonstre um comportamento suicida evidente, situações como a dela estão associadas a maior risco de tentativas e consumação de suicídio.

A lamotrigina é uma medicação de primeira linha para tratamento de episódios depressivos agudos do transtorno bipolar. Marque a alternativa que está em desacordo com a lamotrigina.
Uma paciente de 59 anos procurou atendimento médico pois vinha apresentando insônia há pelo menos 6 meses, além de redução progressiva no apetite e perda de peso. Relatou ansiedade, tristeza, desânimo, fadiga, alteração da concentração, baixa autoestima e episódios de náuseas. Negou pensamentos de morte, mas alegou que o quadro estava causando significativo impacto social e profissional. Negou doenças prévias ou uso de medicações. Dentro do último mês, havia sido realizada uma investigação extensa para afastar doenças que pudessem causar esses sintomas. Como todos os exames vieram dentro da normalidade, a paciente procurou nova avaliação clínica. Não foram encontradas alterações ao exame clínico. O médico explicou para a paciente que ela estava com um quadro compatível com depressão.
Para essa paciente, a medicação que poderia trazer maior benefício, especialmente para os sintomas de insônia, ansiedade, redução do apetite, perda de peso e náuseas, é:
Assinale a alternativa que NÃO corresponde a um critério diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista:
O estágio de desenvolvimento deve ser considerado ao avaliar as apresentações clínicas individuais do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois os sintomas variam de acordo com a idade.
Considerando essa afirmação, assinale a alternativa CORRETA.
A clozapina, em doses terapêuticas adequadas, é o antipsicótico que tem consistentemente demonstrado ser mais eficaz quando comparado aos demais antipsicóticos no tratamento de esquizofrenia refratária. Devido ao seu potencial risco de efeitos adversos, cabe ao psiquiatra saber identificar e manejar quando o paciente está em uso de clozapina.

Assinale a resposta que melhor indica os potenciais efeitos adversos associados ao uso de clozapina no tratamento da esquizofrenia:
Eliana é uma adolescente cisgênera preta de 16 anos, com parceria fixa. Vem à consulta porque não aguenta mais se sentir tão no limite o tempo todo. Sente inquietação, dificuldade para começar a dormir, preocupação com o futuro e pensamentos catastróficos recorrentes, sempre tem medo de que o pior desfecho possível de uma situação irá ocorrer. Os sintomas já estão presentes há 1 ano, quase todos os dias. Nega comorbidades, uso de substâncias ou medicações de uso contínuo. Chegou a iniciar tratamento com Fluoxetina no passado, mas logo desenvolveu manchas vermelhas no corpo e parou por orientação de sua amiga enfermeira. Buscou novamente o psiquiatra, que lhe receitou então a Sertralina - dessa vez, sentiu que os medos e preocupações se intensificaram logo na primeira semana de uso, e decidiu parar por conta própria. Eliana, então, pede a você que arrume alguma solução para essa situação "de uma vez por todas".

Baseado na melhor evidência científica disponível, qual dos seguintes tratamentos propostos seria mais bem indicado?
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