Giovana é influenciadora digital e, depois de ter um filho, do qual
tinha a guarda unilateral, passou a expor nas redes sociais toda
sua rotina de maternidade. Romeu, então, primeiro notifica o
provedor da rede social preferida de Giovana, acusando-a de
sharenting, isto é, da superexposição de sua filha na internet,
com o que não concordava.
O provedor rejeita a denúncia, o que leva Romeu a judicializar a
questão, inclusive pedindo indenização por danos morais em face
de Giovana e do provedor.
Após a instrução comprovar que, realmente, havia um ostensivo
exagero nas postagens protagonizadas pela criança, que também
figurava como autora, os autos vão ao Ministério Público em
fevereiro de 2025.
Nesse caso, o escorreito parecer deverá demonstrar que
Catarina, mãe de Júnior, de 5 anos de idade, ao passear com o
filho no jardim zoológico, decidiu fotografá-lo em frente à jaula
do tigre, e, para tanto, pediu que a criança se posicionasse bem
próxima à grade.
Em dado momento, passou pela cabeça de Catarina a
possibilidade de um acidente, caso a criança se aproximasse
demais da jaula, porém ela supôs, sinceramente, que isso não iria
acontecer, visto que o animal estava posicionado nos fundos da
jaula. Quando Júnior encostou na grade, o tigre rapidamente foi
ao seu encontro, e, com um golpe de sua pata dianteira
esquerda, rasgou a garganta da criança, que morreu
imediatamente.
No dia 2 de julho de 2025, às 3 horas da madrugada, na cidade de
Duque de Caxias, RJ, Inácio, juntamente com Jorgina, inimputável
por doença mental, retirou uma tampa metálica de bueiro de
instalação de energia, pertencente à sociedade empresária
concessionária de serviço público, localizada na via pública, no
intuito de vendê-la como sucata a um ferro-velho clandestino. O
bem em questão valia R$ 720,00 (setecentos e vinte reais).
Inácio possui anotação em sua folha criminal por crime de lesão
corporal, na qual foi concedida suspensão condicional da pena,
cujo período de prova se iniciou em 3 de março de 2019; a pena
extinguiu-se em 2 de março de 2024, em decorrência do término
do período de prova sem revogação.
Diante do caso narrado, à luz da jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça, Inácio cometeu crime de furto
Em excursão formada por um grupo de religiosos conhecidos pela
denominação de Testemunhas de Jeová, houve um grave
acidente envolvendo o veículo utilizado para o transporte
coletivo, o que causou lesões corporais em todos os membros do
referido grupo. Em razão dos ferimentos sofridos, foram levados
inconscientes a um nosocômio para o atendimento de
emergência. Na ocasião, foi constatado que todos deveriam
receber transfusão sanguínea, de modo a assegurar a plena
higidez dos seus sinais vitais.
Pouco após a chegada das vítimas ao nosocômio, diversos
familiares compareceram ao local e informaram aos médicos que
a transfusão sanguínea não poderia ser realizada, considerando a
religião professada por essas pessoas.
As opções a seguir mostram que o Ministério Público na área do
direito infantojuvenil possui atribuições legais para representar a
criança e o adolescente em demandas individuais e coletivas
como legitimado ativo extraordinário, à exceção de uma.
Assinale-a.
Conforme os últimos dados do IBGE, após a pandemia de Covid19, a população em situação de rua do Município X, com 100.000
habitantes, aumentou de forma significativa. Ocorre que não há
equipamentos ou programas da assistência social destinados a
atender a esse grupo populacional.
Nesse contexto, Joana, Promotora de Justiça com atribuição para
Tutela Coletiva da Assistência Social, tomou conhecimento nas
redes sociais que o Prefeito do Município, questionado sobre o
assunto durante entrevista à rádio local, afirmou que seu
governo tem outras prioridades, logo, não pretende se ocupar
dessa questão.
Assim, em consonância com a Política Nacional para a População
em Situação de Rua e com as decisões dos Tribunais Superiores,
assinale a opção que apresenta a providência que Joana poderia
efetivar no âmbito da sua atribuição.
Juliana, Promotora de Justiça, presidiu investigação que tinha por
objeto apurar a ocorrência de ato de improbidade administrativa,
consistente na fraude da licitação conduzida pela Prefeitura local
para a compra de material hospitalar.
O procedimento investigatório foi iniciado a partir de notícia
anônima no sentido de que o licitante vencedor, em conluio com
os servidores do Município e com os representantes das outras
sociedades empresárias que participaram do certame, combinou
os valores praticados, o que gerou um dano ao erário no
montante de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).
Outra prática identificada por Juliana nas investigações foi a de
fraude à licitação da merenda escolar e de material
administrativo, realizada pelos mesmos servidores, que tiveram
os mesmos licitantes, os quais se revezavam como vitoriosos nos
procedimentos licitatórios.
Rodrigo, sócio administrador da sociedade empresária
vencedora, ciente da instauração do procedimento investigatório,
temendo os custos financeiros e reputacionais de enfrentar um
processo judicial, bem como a possibilidade de ser proibido de
contratar com o Poder Público, procurou a Promotora de Justiça
no intento de realizar uma colaboração premiada, acompanhado
de seu advogado.
Nesse contexto, assinale a opção que indica a medida mais
adequada, fática e juridicamente, a ser adotada por Juliana.
Em processo relativo a crime de roubo, Pedro, vítima do crime,
habilitou-se e foi admitido como assistente de acusação,
requerendo em seu arrazoado a condenação do acusado Patrício.
O Ministério Público, por sua vez, em suas alegações finais,
opinou no sentido da absolvição do acusado e da revogação de
sua prisão preventiva. A defesa técnica de Patrício limitou-se a
encampar a manifestação do Ministério Público.
O Juiz, ao proferir sentença, condenou Patrício e manteve a sua
prisão. Cientificado da sentença, o órgão do Ministério Público
então em exercício mudou de opinião e recorreu ao Juízo ad
quem para aumentar a pena do condenado. A defesa técnica de
Patrício não recorreu.
José, criança com 13 anos de idade, teve reconhecido
judicialmente direito à indenização por danos morais no valor de
R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais). O réu, intimado em
cumprimento de sentença, procedeu ao integral depósito. O
advogado de José, constituído por procuração outorgada em
instrumento particular, requereu, em seguida, a expedição do
mandado de pagamento a fim de levantar o valor da condenação.
Além disso, ele indicou, para transferência, a conta da mãe de
José, dona Cássia.
O Juiz abriu vista ao Ministério Público que, à luz da
jurisprudência das Cortes Superiores, deverá opinar
A Cooperativa Alfa, sediada no Município de Campos dos
Goytacazes, foi qualificada como Organização da Sociedade Civil
de Interesse Público (OSCIP), com a finalidade de promover o
desenvolvimento econômico e social e combater a pobreza,
tendo celebrado termo de parceria com a Administração Pública.
Registre-se que supostas irregularidades foram noticiadas em
jornais de grande circulação, chegando ao conhecimento do
Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da população em
geral.
Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº 9.790/1999,
avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F)
para a falsa.
( ) Vedado o anonimato e desde que amparada por fundadas
evidências de erro ou fraude, qualquer pessoa é parte
legítima para requerer, administrativamente, a perda da
qualificação de OSCIP outrora obtida pela Cooperativa Alfa.
Contudo, eventual requerimento judicial pressupõe a
iniciativa do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
( ) Se tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou
ilegalidade na utilização de recursos ou bens de origem
pública pela Cooperativa Alfa, os responsáveis pela
fiscalização do termo de parceria deverão dar imediata
ciência ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e ao
Tribunal de Contas Estadual, sob pena de incorrerem em
responsabilidade subsidiária pelos danos causados ao erário.
( ) Havendo indícios fundados de malversação de bens ou
recursos de origem pública, os responsáveis pela fiscalização
representarão ao Ministério Público do Estado do Rio de
Janeiro, para que requeira ao Juízo competente a decretação
da indisponibilidade dos bens da entidade, vedado o
sequestro dos bens dos seus dirigentes ou de terceiros.
O Ministério Público do Estado Alfa ajuizou ação civil pública em
face de uma siderúrgica, por ter despejado resíduos sólidos, com
elevado potencial lesivo, sem qualquer tratamento, no principal
rio existente no Estado Alfa.
As instâncias ordinárias julgaram improcedentes os pedidos
formulados, o que levou a Instituição a interpor recurso
extraordinário, a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF),
sob o argumento de que foi julgada válida lei local contestada em
face de lei federal. O relator no âmbito desse último Tribunal não
conheceu do recurso interposto.
Lucas, maior e capaz, residente e domiciliado no Município de
Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, compareceu à sede do
Ministério Público, denunciando o fato de que a municipalidade
teria praticado ato ilegal e lesivo ao seu patrimônio, consistente
na desapropriação do seu imóvel, sem a observância das
formalidades legais.
Com efeito, após a análise detida do caso que lhe foi
apresentado, o Promotor de Justiça concluiu que a
desapropriação do imóvel se materializou após cinco anos de
cobrança do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial
Urbana (IPTU), progressivo no tempo, sem que o proprietário
tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou
utilização do local. Registre-se, por fim, que o Município de
Niterói, antes de implementar a desapropriação, não deu ciência
dos fatos ao Ministério Público, tampouco ao Tribunal de Contas.
Nesse cenário, considerando as disposições expressas da
Lei nº 10.257/2001, assinale a afirmativa correta.
Madalena, por estar insatisfeita com o trabalho realizado por
Natanael, pedreiro, na reforma de seu banheiro, mandou
mensagem de áudio privada a ele, por aplicativo de mensagens,
na qual apontou falhas na obra (que de fato existiam) e o chamou
de “porco”.
A mensagem foi enviada no dia 9 de julho, da residência de
Madalena, situada em Itaperuna, e foi ouvida por Natanael no dia
seguinte, no interior de um ônibus, trafegando por via pública,
situada em Natividade.
Diante do caso narrado, Madalena praticou o crime de
Em uma operação policial, o equipamento de informática de
Caio, um designer gráfico de 40 anos, foi apreendido.
A perícia técnica revelou a existência de milhares de arquivos
digitais contendo pornografia infantojuvenil. Entre o material,
identificou-se um elevado número de cenas de sexo explícito
envolvendo crianças em tenra idade, armazenadas em um disco
rígido externo. A investigação comprovou que Caio compartilhou ativamente
centenas de arquivos por meio de um programa de troca de
arquivos P2P (“peer-to-peer”), com registros de downloads e
uploads em rede, bem como por grupos de mensagens
criptografadas, ao longo de oito anos.
A defesa de Caio pleiteou a aplicação do princípio da consunção,
alegando que o armazenamento era um meio necessário para o
compartilhamento, e contestou a dosimetria da pena-base,
argumentando que as circunstâncias judiciais foram valoradas
negativamente com base em elementos inerentes ao próprio tipo
penal.
Considerando a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) e as disposições do Estatuto da Criança e do
Adolescente (Lei nº 8.069/1990), assinale a afirmativa correta.
Wanderson, adolescente com 17 anos de idade, domiciliado com
sua genitora no Município de Cabo Frio, RJ, incorreu na prática de
ato infracional análogo a crime de roubo majorado nessa cidade,
sendo-lhe aplicada a medida socioeducativa de semiliberdade, a
ser cumprida em unidade sediada no Município de Macaé,
distante cerca de 70 km de Cabo Frio.
Dessa forma, nos termos do Art. 39, caput, da Lei nº 12.549/2012
(Sinase), o Juízo da Vara da Infância e Juventude de Cabo Frio
expediu a correspondente guia de execução provisória da medida
de semiliberdade, instruída com a documentação pertinente, e a
remeteu à Vara da Infância e Juventude de Macaé, para a
execução da referida medida.
Wanderson, já com 18 anos de idade, cumpriu integralmente as
metas traçadas em seu plano individual de atendimento. Em
razão disso, a equipe técnica da unidade elaborou um relatório
favorável à progressão da medida socioeducativa de
semiliberdade para liberdade assistida, a ser acompanhada pelo
Creas de Cabo Frio.
Com relação à competência para apreciar a progressão da
medida socioeducativa de semiliberdade cumprida por
Wanderson e aos efeitos de sua maioridade civil, sobretudo
considerando a jurisprudência do STJ, assinale a afirmativa
correta.
Paulo e Raul foram condenados, cada um, a uma pena de 9 anos
de reclusão, em regime semiaberto, em razão da prática do crime
de roubo triplamente agravado contra Roberto.
Paulo interpôs recurso de apelação requerendo a diminuição de
sua pena. Nela, alegava que sua primariedade e sua menoridade
relativa não foram levadas em consideração na sentença. Raul
igualmente recorreu. Contudo, postulou sua absolvição, alegando
a nulidade do processo em razão de inépcia da denúncia.
O Ministério Público, por sua vez, recorreu para modificar o
regime de pena para fechado, mas não a pena. Já Roberto, que
não se habilitou como assistente de acusação no curso do
processo, interpôs recurso de apelação dez dias depois de
decorrido o prazo do Ministério Público, com vistas a agravar a
pena dos condenados.
Diante desse cenário recursal, assinale a afirmativa correta.
Roberto, Ronaldo, Renato, Reginaldo e Robson foram indiciados
em inquérito policial pela prática dos crimes de constituição de
organização criminosa, de extorsão e de lavagem de dinheiro.
Durante as investigações, a autoridade policial comunicou ao
Ministério Público e em seguida realizou ação controlada, com
retardação da intervenção policial como meio mais eficaz à
formação das provas e à obtenção de informações. Contudo, o
Ministério Público e a autoridade policial não comunicaram o
Juízo previamente acerca da ação controlada, tendo este tomado
conhecimento apenas posteriormente, quando do oferecimento
da denúncia, a qual também nas provas da ação controlada se
baseou.
Além disso, durante as investigações, Roberto, um dos
integrantes da organização, resolveu entabular acordo de
colaboração com o Ministério Público, e revelou a estrutura
hierárquica da organização. Ato contínuo, após saber que
Roberto colaborara, Robson, líder da organização criminosa,
também resolveu entabular acordo de colaboração com o
Ministério Público, revelando crimes de cuja existência não tinha
prévio conhecimento o Ministério Público. A ambos os
colaboradores, o Ministério Público pactuou o não oferecimento
de denúncia como prêmio pela colaboração.
O Estado Alfa editou a Lei nº X, dispondo sobre certos deveres do
Estado em relação à guarda e à administração das unidades
prisionais para presos definitivos ou provisórios.
Cerca de dois anos depois, a mesma temática passou a ser
disciplinada em âmbito nacional pela Lei Federal nº Y, que dispôs
em sentido diametralmente oposto ao da Lei nº X.
Pouco tempo depois, uma organização não governamental
(ONG), que desconhecia a existência da Lei Federal nº Y,
encaminhou requerimento ao Procurador-Geral de Justiça do
Estado Alfa para que fosse ajuizada Representação de
Inconstitucionalidade (RI) perante o Tribunal de Justiça (TJ), sob o
argumento de que a Lei nº X afrontava normas da Constituição da
República (CR) afetas aos direitos fundamentais e à competência
legislativa.
O Procurador-Geral de Justiça observou corretamente que a
Lei nº X
Maria, membro do Ministério Público com exercício na
Promotoria de Defesa do Consumidor, recebeu denúncias de
irregularidades de investidores que se sentiram lesados com a
emissão de notas comerciais em oferta privada por parte da
sociedade Móveis Renascença Ltda.
As denúncias apontam o descumprimento das normas legais
sobre a nota comercial, tais como:
I. a utilização como valor mobiliário;
II. a emissão por parte de sociedade limitada;
III. a previsão de conversão dos títulos em quotas do capital
social;
IV. a deliberação sobre a emissão aprovada pela assembleia dos
sócios por quórum de mais de três quartos do capital; e
V. se o termo de emissão previu que a alteração das
características dos títulos dependerá de aprovação da maioria
simples dos titulares de notas comerciais em circulação,
presentes em assembleia especial.
De todos os aspectos apontados, assinale a opção que indica o
único que afronta a lei.
O sócio gerente e único administrador de uma sociedade
empresária deixou de recolher, no prazo legal, o valor do ICMS
relativo às operações tributáveis da sociedade empresária,
escrituradas e declaradas, referente aos meses de janeiro a julho
2021, causando ao erário prejuízo de R$ 27.235,65, conforme
Certidão de Dívida Ativa.
Acompanhada da representação fiscal para fins penais, tendo em
conta que a lei então vigente estabelecia R$ 10.000,00 como
mínimo para o ajuizamento de execução, demonstrada conduta
contumaz e com dolo de apropriação, a denúncia pela prática do
crime do Art. 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/1990 foi oferecida,
observado o devido processo legal, e recebida pelo Juiz
competente, em março de 2023.
Em abril de 2024, ainda antes do fim da instrução criminal, uma
nova lei estadual revogou a anterior e deu ao Procurador-Geral
do Estado atribuição para estabelecer o valor mínimo para o
ajuizamento de ações de cobrança de dívida ativa do Estado. No
mesmo mês, uma Portaria da PGE instituiu o valor de
R$ 50.000.00 como mínimo para o ajuizamento de ação de
cobrança da dívida ativa. A defesa pediu a aplicação do princípio
da insignificância, considerando o novo limite estabelecido.
Sobre o caso hipotético narrado, considerando a jurisprudência
do Superior Tribunal de Justiça sobre o princípio da insignificância
em crimes tributários, assinale a afirmativa correta.